Eram quase duas da madrugada e ela estava encolhida no pequeno sofá vermelho da sala, as pernas flexionadas contra o peito e os braços em torno delas, pressionando-as. Ela balançava-se constante e incessavelmente, chocando-se levemente contra o acolchoado macio do sofá. Seu coração estava acelerado, batia com força dentro de seu peito, como se fosse quebrar sua caixa torácica; como se não houvesse espaço suficiente ali dentro. O ar estava denso, sua respiração falha e os pulmões praticamente paralisados. Não bastasse isso, o suor lhe escorria pela face e o nó na garganta a fazia sentir-se sufocada. Engolia em seco; ansiosa, temerosa.
Passos se aproximavam no corredor, ela focou sua atenção em direção a porta, que foi aberta pouco tempo depois. Quando o garoto adentrou o apartamento, ela levantou-se de sobressalto e correu em direção a ele, com lágrimas rolando pelo rosto. Seus punhos chocavam-se contra o peito dele enquanto dizia, com a voz embargada pelo choro "Por que você faz isso comigo, Andrew? Por quê? Onde diabos você estava? Céus! Você sabe que eu odeio quando você faz isso, Andy.".
O garoto, meio embriagado, sorria. Estava acostumado com situações como esta, e até mesmo gostava de vê-la assim, tão preocupada. Tomou as mãos dela entre as suas e puxou-a para junto de si. Envolveu-a em um abraço apertado, puxando-a mais para perto de seu corpo quente. Ela manifestou-se "Andy...", mas eles a interrompeu "Shh, pequena, não diga nada.", e sussurrou em seu ouvido "Eu a amo, minha garota.".
Ela não podia conter-se, afundou seu rosto no pescoço macio e tão conhecido, sentindo o perfume inebriante que dali exalava e cessando as lágrimas. Sussurrou, ainda perdida no pescoço do garoto, e, com as mãos em suas costas, puxando-o para tão perto de si quanto era possível, "Eu tenho medo, Andy... Eu não quero o perder. Eu não posso. Eu o amo, eu preciso de você. Mais do que qualquer outra coisa.". A resposta veio na forma de um beijo; lento, calmo e quente.
Ele disse a ela para esquecer tudo aquilo, que nada mais importava e que os dois estavam juntos. Ela acreditou, como em todas as vezes, pois ela precisava dele. Ele a levou para a cama, colocando-a para dormir e a observando. Ela adormeceu com um sorriso no rosto, aninhada em seus braços, acreditando que seria diferente e que aquela cena não se repetiria novamente, como tantas outras vezes. Ele admirava a beleza terna dela, e pensava o quão estúpido era por magoá-la, porém não conseguia deixar de ser quem era, como ela não podia deixar de acreditar que seria diferente. Porém, apesar da dor e das personalidades tão diferentes, eles se amavam, e era somente isto que importava naquele momento.